O Que Aconteceu em 100 Dias de Guerra na Ucrânia

Atualizado: 14 de jun.

O número redondo serve como marco temporal para analisarmos o que aconteceu desde o início da Guerra na Ucrânia. As reflexões são múltiplas, tanto pelo que ocorreu até o momento, quanto o que está por vir. Importante ressaltar que lidamos com cenários que foram mudando com o decorrer do tempo.


Para a compreensão da realidade atual voltamos ao início do ano, quando tropas russas se agrupavam na fronteira com a Ucrânia, no que, naquele momento, pareciam ser exercícios militares com intuito de desestabilizar e pressionar Kiev a desistir de seus anseios de fazer parte da União Europeia (EU) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).


Todavia, o governo de Volodymyr Zelensky não só reafirmou sua posição, como procurou apoio de seus aliados para poder fazer frente à ameaça vinda de Moscou. Esta postura de resistência tem sido uma marca do presidente ucraniano.


Uma análise com as lentes atuais possibilita entender que Putin achava que as operações militares durariam pouco tempo e não enfrentariam muita resistência, como aconteceu em 2008 quando em cinco dias, a Rússia ocupou as regiões da Abecásia e Ossétia do Sul na Geórgia. Contudo, o cenário não se repetiu e o líder russo teve que repensar sua estratégia e seus objetivos.


Além disso, a Ucrânia é o segundo maior país da Europa, justamente depois da Rússia. A extensão territorial é de extrema importância na logística deste conflito, pois quanto mais longe as tropas vão, maior a dificuldade de supri-las e, consequentemente, sustentar combates e vencê-los.

Outro ponto que nos leva a refletir sobre as intenções de Moscou é que a conquista total da Ucrânia faria com que o Estado russo perdesse um espaço/zona tampão que possibilitasse manobras sem entrar em confronto direto com países-membros da OTAN.


A OTAN ainda tenta entender o seu papel no pós Guerra Fria, realidade que moldou a organização. Mesmo que seus membros estejam alinhados num apoio à Ucrânia, as ações não condizem com o discurso. A Suécia e a Finlândia já revisaram sua política externa no que concerne à Organização do Tratado do Atlântico Norte, ao fazer um pedido formal para entrada na aliança.


A questão das sanções impostas à Rússia é um ponto que possibilita ver o quanto os países, principalmente os do Velho Continente, estão engajados pela paz. Mesmo depois de sucessivas medidas punitivas tanto para os Estado russo, como para seus líderes políticos e econômicos, a guerra continua e sem perspectiva de término.


Moscou não só se preparou nos últimos anos com um acúmulo de uma variedade de reservas econômicas, mas também sabe funcionar nesta realidade, pois já sofre com sanções há tempos. Somando-se a isso, ainda existe a já citada dependência europeia perante o gás russo, a qual perdurará por um bom tempo, pois não é possível fazer uma transição energética do dia para a noite. As ações e discursos se tornam ineficazes quando no final do dia se paga a Moscou pela iluminação de Paris, a cidade luz.


Uma questão pouco falada nesse conflito são as consequências que ele pode ter para a Moldávia que tem no Leste do país, exatamente na fronteira com a Ucrânia, uma região chamada Transnístria. Esta declarou de forma unilateral a sua independência (não reconhecida por nenhum Estado soberano) em 1992 numa breve guerra na qual contou com a ajuda de contingentes russos.


Como o líder russo deixou claro várias vezes, o fim da União Soviética foi a maior catástrofe do século XX e ele agora se sente imbuído não só de uma reconstrução, mas de uma formatação desta Rússia de acordo com a sua visão.


Nesta posição soberana de poder, personificando uma Rússia na qual o enfrentamento militar é uma ferramenta central, Putin se apresenta como um ator imprevisível no cenário internacional.

As certezas que temos são as mortes, os traumas e as perdas que a guerra sempre acarreta. Assim como a onda de refugiados que já alcança o impressionante número de seis milhões, sendo a pior crise do tipo desde a Segunda Guerra Mundial.


Cem dias já se passaram e ainda é difícil vislumbrar o futuro, mas temos que trabalhar com a realidade de que mesmo se o conflito terminasse hoje, a reconstrução da Ucrânia ainda demoraria muito tempo.

O engajamento verdadeiro da comunidade internacional urge, não só nestes conflitos, mas também nos que foram “esquecidos”, pois a paz não é só um desejo americano ou europeu, mas sim mundial.






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