2022, chega devagar!

Este ano já começa a demonstrar a que veio. Um ano repleto de eleições importantes mundo afora e que podem definir rumos de certos gigantes da política internacional; um deles vem a ser a França. Com um pleito onde as visões de direita estão no centro do debate, muitos se indagam sobre o futuro deste país.

Todavia, nos últimos meses tem passado de forma quase que silenciosa, a ação de Paris não na Europa, mas sim na África. Mais especificamente na região do Sahel, onde suas ex-colônias do Mali, Níger, Burkina Faso, Senegal, Mauritânia e Chade se localizam. Num processo que tem se intensificado no último mês, a França tem retirado suas tropas da região. Isto porque mesmo com todo o seu aparato, estrutura, dinheiro e treinamento, Paris tem enfrentado sérios problemas para combater, juntos com as tropas locais, grupos terroristas que atuam na região e usam o seu conhecimento sobre a área para fazer seus ataques, assim como para se refugiar no deserto do Saara.

Para uma melhor compreensão desta realidade, alguns analistas têm a chamado de Afeganistão da França. Mesmo com muito investimento humano e financeiro, as perdas para a França na região são maiores do que os ganhos. Sem falar na perspectiva da ex-metrópole se envolvendo em países que já foram colônias e que tem problemas intrínsecos à colonização em si.

Importante falar que também existem muitas divisões locais entre etnias, tribos, interesses pessoais e políticos, assim com as próprias questões de países que ainda tem um longo caminho a ser trilhado. Todavia, ele deveria ser pensado por estas mesmas pessoas que sofrem diariamente com as intempéries e não em salas do Palácio do Eliseu.

A compreensão, visão e conhecimento do local é muito mais importante e efetiva do que uma análise feita à distância e por pessoas que, raramente, estão envolvidas no dia a dia dos países e seus conflitos. Por isso, ocorre não só uma dificuldade de como acabar com o problemas, mas como fazer isso respeitando tradições e sabedoria locais que têm muito mais poder para construir uma paz duradoura e sustentável.


texto por Alexandre Addor, professor da VV.

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