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Saiba qual papel do BRICS no cenário mundial atualmente

Atualizado: 28 de jul. de 2022

O termo BRICS é um que esteve presente no debate internacional nas últimas duas décadas, desde que foi utilizado pela primeira vez em um relatório do banco de investimento Goldman Sachs, chamado Building Better Global Economics BRICs. Pode parecer um detalhe a letra S de forma minúscula na última citação do grupo, mas ela é significativa no processo de fortalecimento e expansão dele.

Isso porque mesmo quando ainda era uma acrônimo num documento que orientava investidores a como aplicar nos países emergentes, o BRICs não englobava a África do Sul. Naquele momento, os Estados presentes no relatório eram: Brasil, Índia, China e Rússia.


A compreensão de que a união destas nações poderia proporcionar benefícios mútuos foi se construindo aos poucos. Tanto que o termo é cunhado em 2001, a primeira reunião de Ministros de Relações Exteriores em 2006 e a primeira Cúpula que reuniu os Chefes de Estado aconteceu em 2009. A aceitação da África do Sul como membro-pleno aconteceria em 2011 e assim se acrescentaria o S maiúsculo no fim (S de South Africa, nome em inglês do país).


Após este processo de constituição do grupo, ele se tornou um ente muito importante das relações internacionais, ainda mais com a força que estes países tinham naquele momento. As reuniões dos BRICS se tornaram uma esfera de debate singular com uma representação mais igualitária do que seus semelhantes. Além de discutirem temas pertinentes a grande parte da população mundial. Afinal, os cinco países juntos representam 40% dela e ¼ do PIB global.


Todavia, mudanças políticas nas nações que formam o grupo fizeram com que ele perdesse a sua relevância no cenário internacional. Contudo, as circunstâncias mundiais atuais fizeram com que os BRICS voltassem a estar nas manchetes. Eles continuam a ser um espaço alternativo para debater as relações internacionais. Porém, um mundo em guerra e com disputas pela liderança global mudaram um pouco o perfil do agrupamento.

Rússia, com o conflito na Ucrânia, e China, com a sua expansão no Mar do Sul da China, veem esta coletividade como uma forma de se contrapor a influência global estadunidense. Estes dois Estados tomaram a frente das discussões sobre temas delicados, conseguindo que Índia e África do Sul se abstivessem em resoluções da Organização das Nações Unidas que condenavam Moscou.


Além disso, Mumbai e Pequim se tornaram grandes compradores do petróleo russo, que sofre sanções dos Estados Unidos e da União Europeia. Recentemente, o Brasil tem dialogado com a chancelaria russa para também comprar esta matéria-prima fundamental. Em todos os casos, com grandes descontos.


De forma mais clara, líderes russo expressaram que tem a intenção de redirecionar o seu comércio e exportação para os BRICS. Sendo assim, a Rússia conseguiria fugir das punições. Estas que de forma velada, Vladimir Putin chamou de “ações impensadas e egoístas de certos Estados”. A perspectiva de uma maior integração do grupo é interessante, mas existem divergências não só na relação entre eles, mas sobre o que cada um dos membros quer deste espaço.


China e Índia têm questões fronteiriças no Himalaia que qualquer passo em falso poderia levar a sérios problemas. O Brasil segue centrado no discurso sobre reforma das instituições internacionais (que vem desde a primeira participação), mas sem agir de forma enfática para isso. Todos os outros membros concordam com o assunto, mas não o veem com a mesma prioridade. A África do Sul tem as suas questões internas, além da dificuldade de ser um porta-voz das questões múltiplas do Continente Africano e das nações que o formam.


Os BRICS podem muito bem ser este espaço de debate fundamental para os países em desenvolvimento, tanto que existe um grande interesse de outros Estados para fazerem parte, sendo exemplos Argentina e Irã. Contudo, o agrupamento ainda precisa entender a sua formatação e foco.


Por mais que os temas previamente decididos fossem assuntos como retomada econômica, luta contra epidemias e troca tecnológica, na 14a Cúpula (Julho de 2022), Rússia e China pautaram o debate com o que era primordial em suas agendas. Não houve um pensamento pelo todo, mas sim como potencializar o grupo para objetivos específicos de um cenário geopolítico em transformação.







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